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quarta-feira, 7 de março de 2012

mãe (muito) babada


Eu sei que é um cliché vir para aqui dizer que os nossos filhos são melhores que os dos outros, mais bonitos, mais inteligentes, que em pequenos faziam as gracinhas com mais piada, e agora crescidos têm um desenvolvimento intelectual e um sentido de humor muito além. Culpe-se a ocitocina, o instinto maternal, o que se queira! É certo que às vezes apetece deitá-los pela janela fora, dar-lhes um bom par de estalos, gritar-lhes PAREM, deixem-me em paz! Mas não há volta a dar-lhe - o amor de mãe (e de pai, suponho, mas deste eu não posso falar porque não sou pai) existe, e é incondicional.
E depois desta lamechice pegada, que já fez com que a mais nova me viesse trazer um lenço de papel para não inundar de baba o teclado do computador, o melhor mesmo é atentar nos conselhos pragmáticos das nossas avós que andavam preocupadas com coisas bem mais práticas.

O que os nossos filhos precisam - Que os banhem todos os dias; Que ninguém os beije na boca; Que ninguém lhes tussa no rosto; Que os deixem dormir sozinhos; Que o seu quarto seja bem arejado; Que haja o máximo asseio na preparação da sua comida; Que esta lhes seja dada a horas certas; Que nunca lhe dêem copos, pratos, talheres ou guardanapos já servidos de outra pessoa; Que o seu vestuário seja amplo, simples, leve e quente. (Tesouro doméstico, 1939)

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

passear faz bem


Ninguém duvida dos benefícios dos passeios ao ar livre.


No manual Puericulture de 1959, recomenda-se que os bebés comecem a sair de casa para "promenades" que não excedam mais de 1 hora, a partir do 10º dia de vida (no Verão) ou do 20º dia (caso nasçam no Inverno).

E em 1939, incluído nas 500 receitas domésticas aparece o seguinte conselho para cuidar das crianças fracas ou "crianças linfáticas" como também se chamavam às criancinhas "anémicas, tristes (...) com baba em excesso, pouco apetite, etc"

Uma das preocupações das mães deve ser, portanto procurar dar aos seus bebés um quarto seco, quente, bem iluminado e arejado. Quando a sua idade já lh'o permita, é excelente prática trocar a vida dos quartos pela vida ao ar livre, a sombra pelo sol, o repouso pela actividade. Os jogos, em pleno ar, são, com efeito, dos mais valiosos auxiliares, para melhorar a constituição da criança linfática. A marcha, a jardinagem, a natação são também exercícios altamente recomendáveis. O próprio canto ao ar livre constitui uma excelente gimnastica pulmonar. (...) Com a observancia de tudo quanto aconselhamos, mais ou menos se triunfará desse vício constitucional a que se dá o nome de linfatismo.

Portanto, para combater este terrível "vício constitucional" que se instalou em nós, informados cidadãos do século XXI, toca a passear! 

Também ajuda "modificar o temperamento por meio de preparados iodotânicos, reconstituintes, oleo de figado de bacalhau. Vida à beira-mar. Raios ultra-violetas." in O Tesouro Doméstico

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

de cozinhas e papas

A cozinha é uma das divisões mais importantes da casa e esta não é excepção. Ali passamos grande parte do nosso tempo, recebemos família e amigos, as crianças crescem, estudam, tomam-se decisões importantes. Vive-se!
Há cozinhas rústicas, umas pequenas e outras maiores, há kitchenettes e cozinhas industriais, cozinhas sofisticadas e outras não tão modernas, mas perfeitas. Como esta:

Madmen kitchen

Eu gosto do que é antigo e velho, de coisas que já se usaram noutros tempos e que não sabemos por onde andam, se é que ainda existem. Não tenho a certeza se a papa Predilecta ou a Farinha 33 se conseguem encontrar hoje nos supermercados, mas felizmente destas fiquei com as embalagens. E a propósito de papas e antiguidade, encontrei no "tesouro doméstico" uma receita de farinha láctea que, à época, deverá ter feito grande sucesso.

Farinha láctea - Para fazer esta farinha, tão largamente empregada e útil sobretudo na alimentação das crianças, empregam-se as seguintes substâncias: 715 partes de açúcar em pó; 250 de cacau desengordurado em pó; 12 de fosfato tricálcico; 15 de glicerofosfato de cal; 150 de farinha de milho; 150 de farinha de lentilhas; 150 de farinha de aveia; 1/2 de essência de baunilha; e álcool suficiente para dissolver o princípio aromático da baunilha. Feita esta dissolução, mistura-se esta com o açúcar, intimamente; deixa-se secar e adicionam-se as outras substâncias.



segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

tesouro doméstico

Presumo que terá sido um manual indispensável para a mulher daquela época. Publicado em 1939 pela Imprensa Beleza, o “tesouro doméstico” está recheado de conselhos úteis para quem governa o lar, incluindo 500 receitas domésticas “para todas as cozinheiras e donas de casa, etc” e 500 receitas de remédios caseiros para a cura de todas as doenças. Parece que, na altura, um dos graves problemas com que se deparava quem cuidava do lar era ver-se livre dos ratos que invadiam as casas à procura de alimento. No livro encontramos, pelo menos, 4 receitas diferentes (sem usar ratoeira) para eliminar os ditos bichos, sendo esta uma delas:

Contra os ratos - Para desembaraçar as casas de tão prejudicial invasão dos ratos, há uma receita muito simples e que não apresenta nenhum risco mesmo onde haja crianças ou quaisquer animais.

Toma-se uma esponja velha, já fora de uso, de poros bastante apertados e corta-se em pequenos bocadinhos que se apertam fortemente com várias voltas de cordel. Fritam-se em banha, deixam-se esfriar e depois tiram-se-lhe os cordéis.

Basta deitar os bocados de esponja assim preparados nos sítios frequentados pelos ratos. Estes apressam-se a devorar a petisqueira preparada em sua intenção. Logo que a gordura da banha está digerida, o que se dá rapidamente, as esponjas achando-se em contacto com os líquidos do estômago começam a inchar, tomam um volume considerável e os incómodos animais morrem com as vísceras rebentadas em virtude da dilatação da esponja.

Experimentem.

Tarefa complicada esta a de governar a casa...