sexta-feira, 16 de março de 2012

uma família à beira de um ataque de nervos

O pai está a tentar vender desesperadamente o seu programa de motivação para o sucesso... sem sucesso nenhum. Entretanto a mãe apoia a sua excêntrica família, incluindo o seu depressivo irmão, que se tentou suicidar por ter sido abandonado pelo amante. Olive, com sete anos, sonha ser rainha de beleza e Dwayne, um adolescente que gosta de Nietzsche, fez um voto de silêncio. E há ainda o desbocado avô, cujo comportamento originou a sua expulsão do lar onde vivia. Quando Olive é convidada a competir no concurso "Little Miss Sunshine" na distante Califórnia, a família amontoa-se na ferrugenta e velha carrinha numa viagem hilariante.


little miss sunshine, Jonathan Dayton, Valerie Faris, 2006

quinta-feira, 15 de março de 2012

dentro e fora de portas

a sul


 a norte

a nascente

no andar de cima

no andar de baixo

a meio



quarta-feira, 14 de março de 2012

jogo


Fiz este loto para elas, há mais de 10 anos. Cortei em quatro partes (15x10 cm cada) um daqueles cartões brancos e duros que estão por detrás dos blocos A4, e vinte e quatro quadrados mais pequenos (5x5 cm) do mesmo material. Desenhei vinte e quatro figuras coloridas nos cartões maiores



e copiei as mesmas imagens para os cartões mais pequenos


E como se vê, nem é preciso ter um grande jeito para desenhar. O que interessa é que as imagens dos cartões grandes sejam iguais (vá, parecidas) às dos mais pequenos. E se, durante a brincadeira, uma criança perguntar "Quem tem a elefanta cor-de-rosa às pintinhas verdes, sem olhinhos, e com um chapelinho de chinês na cabeça?", e outra responder "Tenho eu, eu!", é porque aprenderam bem as regras do jogo! 

terça-feira, 13 de março de 2012

a vida das mulheres - 1

Vou começar uma rubrica intitulada a vida das mulheres, mulheres anónimas, de artes várias, que trabalham e organizam as suas vidas, mulheres que conheço bem e outras com quem nunca me cheguei a cruzar, mulheres que estão a lavar a loiça e a deitar os filhos*, que amam, choram e vivem. Mulheres normais, como nós!  *Virgínia Wolf, Um quarto que seja seu, 1928


RITA

Tirando o cabelo, agora mais longo, continua muito parecida. Acho que o tempo não anda a passar por ela como passa por nós, pelo menos eu não lhe consigo descobrir uma única ruga, e já passaram sei lá, alguns 35-36 anos? Desconfio que usa e abusa desta receita da nossa avó, do Tesouro doméstico:
Água higiénica para a pele - esta água limpa perfeitamente a pele, branqueia-a e impede as rugas. Para se obter faz-se o seguinte: juntam-se 125 gramas de pão de centeio quente, quatro claras de ovos frescos, meio litro de bom vinagre branco, mexe-se tudo e passa-se depois por um pano fino.

foto de António Sousa

Costumava morder-nos (às primas) quando se zangava, e dizia frivícico em vez de frigorífico. Acho que agora já não é disléxica, ganhou destreza nas palavras e leva muito a sério a herança do fazer com perfeição. A avaliar pela foto, já na altura parece que tinha bichos-carpinteiros nas mãos.
Apesar de trabalhar todo o dia fora, de ter uma filha adorável e irrequieta que não pára um segundo, e de acumular mil e uma tarefas como todas nós, ainda faz estes trabalhos cheios de cor que parecem saídos de lendas e contos de fada. 

foto de António Sousa

Admiro-lhe a paciência infinita para os pormenores e para os acabamentos perfeitos e minuciosos. 

foto de António Sousa


E faz umas sobremesas divinais, acho que teria sido uma excelente doceira e quanto a mim ainda vai a tempo. É daquelas que pega o touro pelos cornos e vai à luta, sem se deixar intimidar. 

segunda-feira, 12 de março de 2012

desertas

foto da Cesinha


Bonito postal do Arquipélago
Madeira, mar e céu e as mágicas Desertas
Que alimentaram o meu imaginário infantil
Deserta?! Ah, pura mentira...
Que o digam as cagarras e os lobos marinhos...
Na comedoria e na nidificação um paraíso!

A Ponta do Garajau
Com o Senhor Cristo Rei altaneiro
Num gesto de acolhimento ao mundo inteiro
E para os navegantes daquele mar de águas mansas e cálidas
Onde, em desvario de menino louco,
saboreei o doce aconchego do abraço

Do alto daquele promontório
De quando em quando quedei-me na mágica sedução contemplativa
Daquela concha citadina
Qual caleidoscópio de feéricas cores
Uma marca identitária no meu ser
João Figueira Júnior, 2012

professor, poeta, cronista, bloguer madeirense, há muito encantado por esta outra ilha

"Ilha de Ereira, ó Guernesey dorida,
Que irá no meu País, que irá na Vida?..."
Afonso Duarte, Diálogo com a minha terra, 1916

domingo, 11 de março de 2012

um longo sábado de Março

Ontem à noite dei comigo a pensar: Não fiz nada de jeito hoje! E enquanto me tentava lembrar de como tinha sido passado este sábado, fui anotando o que me ocupou o dia:

1. Sair de casa de manhã, à pressa, como se fosse um dia de trabalho,
2. Passar no oculista para ir buscar as lentes de contacto encomendadas durante a semana,
3. Deixar as miúdas na tia, enquanto fui à aula de Tai Chi Chuan,
4. Ir ter com o resto da família ao sítio do costume (e parar no caminho para comprar alguma comida e água),

5. Olhar para o mar, comer, olhar para o mar, beber, olhar para o mar, pensar no que vamos fazer a seguir. Falar ao telefone com pessoas de quem temos saudades,
6. Arrumar a família e a tralha toda no carro e ir ao café e aos gelados no lugar onde se vendem os melhores gelados do mundo, 

7. Ver que o areal da praia continua a crescer, mas há quem esteja a tratar de resolver isso,

8. Andar a pairar no picadeiro como se estivesse em férias e não houvesse nada para fazer,

9. Terminar de ler "a máquina de fazer espanhóis" de valter hugo mãe,
10. Ir com as crianças ao parque infantil do jardim e ter saudades de quando ainda lá haviam cisnes e patos,

11. Dar-me conta de que aqui até era um belo lugar para se viver

12. Ir ao Chá de Tília tomar um chá das cinco, com scones acabados de sair do forno e doce de maçã caseiro. 

13. Apreciar os belíssimos trabalhos em renda das mulheres picarotas e faialenses, e perder-me com as memórias das vidas destas mulheres, de como organizaram o seu quotidiano e fizeram das rendas o seu ganha-pão - um passado de vida difícil, mas de alegria
in Rendas dos Açores - Ilhas do Pico e Faial

14. Colocar este post no blog,
15. Ver as 200 fotos que ela tirou ao longo do dia e negociar o empréstimo dalgumas,

16. Fazerem-nos uma visita guiada via skype sobre: o acordar em Bali num hotel onde os quartos dão para um pátio cheio de flores, arbustos e outros verdes, atravessado por uma piscina rectangular, e tomar o pequeno-almoço num terraço a ver o mar

17. Querer ver este filme ao serão

Um longo domingo de noivado, Jean-Pierre Jeunet, 2004

As coisas que conseguimos fazer, mesmo quando nos parece que não fazemos nada!

sábado, 10 de março de 2012

cópia certificada

Esta é a história do encontro entre um homem e uma mulher, numa pequena aldeia no sul da Toscana. O homem é um autor britânico que acabou de apresentar o seu último livro. A mulher, francesa, é dona de uma galeria de arte. Esta é uma história comum que podia acontecer a qualquer pessoa. Em qualquer lugar.

Abbas Kiarostami, 2010

sexta-feira, 9 de março de 2012

o país das maravilhas


Alice in Wonderland - Tim Burton, 2010

quinta-feira, 8 de março de 2012

mulheres

Eis-nos de luta
expostas
sem vencer os dias

as verilhas
certas
no passo retomado

o rever das casas e das causas
o revolver das coisas
que dormiam

Diária é a escolha
o movimento insano
o sossego manso e mais pesado
daquilo que desperta e não quebramos

daquilo que rasgamos
e dobramos
carta por carta em seu perfil exacto

(...)

Remota viração que se reparte
esta que usamos em cumprir
sustento

da pressuposta amarra
em que ficamos

apartadas dos outros
e tão perto

Eis-nos (Novas Cartas Portuguesas - 1972)

quarta-feira, 7 de março de 2012

mãe (muito) babada


Eu sei que é um cliché vir para aqui dizer que os nossos filhos são melhores que os dos outros, mais bonitos, mais inteligentes, que em pequenos faziam as gracinhas com mais piada, e agora crescidos têm um desenvolvimento intelectual e um sentido de humor muito além. Culpe-se a ocitocina, o instinto maternal, o que se queira! É certo que às vezes apetece deitá-los pela janela fora, dar-lhes um bom par de estalos, gritar-lhes PAREM, deixem-me em paz! Mas não há volta a dar-lhe - o amor de mãe (e de pai, suponho, mas deste eu não posso falar porque não sou pai) existe, e é incondicional.
E depois desta lamechice pegada, que já fez com que a mais nova me viesse trazer um lenço de papel para não inundar de baba o teclado do computador, o melhor mesmo é atentar nos conselhos pragmáticos das nossas avós que andavam preocupadas com coisas bem mais práticas.

O que os nossos filhos precisam - Que os banhem todos os dias; Que ninguém os beije na boca; Que ninguém lhes tussa no rosto; Que os deixem dormir sozinhos; Que o seu quarto seja bem arejado; Que haja o máximo asseio na preparação da sua comida; Que esta lhes seja dada a horas certas; Que nunca lhe dêem copos, pratos, talheres ou guardanapos já servidos de outra pessoa; Que o seu vestuário seja amplo, simples, leve e quente. (Tesouro doméstico, 1939)