Ele gosta de construir e planear... Fazer casas e auto-caravanas, móveis, candeeiros e outros utensílios, projectar alçados, varandas, pátios e muros. E para ele, nós os que lhe somos mais próximos, estamos sempre, sempre em primeiro lugar! Por isso, correndo o risco dela me acusar de plágio, acho que não fujo à verdade se disser também:
O meu pai é arquitecto e a sua família é o seu projecto.
De regresso a casa, a bordo do paquete Moçambique, depois de quatro anos a viver em S. Tomé e Príncipe. Todas com vestidos lindíssimos feitos pela mãe, que aos 18 anos aprendeu a costurar no atelier da D. Rosinha, em Matosinhos. As mais velhas, tão stylish com os seus óculos cat's eye, muito na moda na década de 50 e 60, e que hoje se mantém tão actuais.
O pai está a tentar vender desesperadamente o seu programa de motivação para o sucesso... sem sucesso nenhum. Entretanto a mãe apoia a sua excêntrica família, incluindo o seu depressivo irmão, que se tentou suicidar por ter sido abandonado pelo amante. Olive, com sete anos, sonha ser rainha de beleza e Dwayne, um adolescente que gosta de Nietzsche, fez um voto de silêncio. E há ainda o desbocado avô, cujo comportamento originou a sua expulsão do lar onde vivia. Quando Olive é convidada a competir no concurso "Little Miss Sunshine" na distante Califórnia, a família amontoa-se na ferrugenta e velha carrinha numa viagem hilariante.
little miss sunshine, Jonathan Dayton, Valerie Faris, 2006
Fiz este loto para elas, há mais de 10 anos. Cortei em quatro partes (15x10 cm cada) um daqueles cartões brancos e duros que estão por detrás dos blocos A4, e vinte e quatro quadrados mais pequenos (5x5 cm) do mesmo material. Desenhei vinte e quatro figuras coloridas nos cartões maiores
e copiei as mesmas imagens para os cartões mais pequenos
E como se vê, nem é preciso ter um grande jeito para desenhar. O que interessa é que as imagens dos cartões grandes sejam iguais (vá, parecidas) às dos mais pequenos. E se, durante a brincadeira, uma criança perguntar "Quem tem a elefanta cor-de-rosa às pintinhas verdes, sem olhinhos, e com um chapelinho de chinês na cabeça?", e outra responder "Tenho eu, eu!", é porque aprenderam bem as regras do jogo!
Vou começar uma rubrica intitulada a vida das mulheres, mulheres anónimas, de artes várias, que trabalham e organizam as suas vidas, mulheres que conheço bem e outras com quem nunca me cheguei a cruzar, mulheres que estão a lavar a loiça e a deitar os filhos*, que amam, choram e vivem. Mulheres normais, como nós! *Virgínia Wolf, Um quarto que seja seu, 1928
RITA
Tirando o cabelo, agora mais longo, continua muito parecida. Acho que o tempo não anda a passar por ela como passa por nós, pelo menos eu não lhe consigo descobrir uma única ruga, e já passaram sei lá, alguns 35-36 anos? Desconfio que usa e abusa desta receita da nossa avó, do Tesouro doméstico:
Água higiénica para a pele - esta água limpa perfeitamente a pele, branqueia-a e impede as rugas. Para se obter faz-se o seguinte: juntam-se 125 gramas de pão de centeio quente, quatro claras de ovos frescos, meio litro de bom vinagre branco, mexe-se tudo e passa-se depois por um pano fino.
foto de António Sousa
Costumava morder-nos (às primas) quando se zangava, e dizia frivícico em vez de frigorífico. Acho que agora já não é disléxica, ganhou destreza nas palavras e leva muito a sério a herança do fazer com perfeição. A avaliar pela foto, já na altura parece que tinha bichos-carpinteiros nas mãos.
Apesar de trabalhar todo o dia fora, de ter uma filha adorável e irrequieta que não pára um segundo, e de acumular mil e uma tarefas como todas nós, ainda faz estes trabalhos cheios de cor que parecem saídos de lendas e contos de fada.
foto de António Sousa
Admiro-lhe a paciência infinita para os pormenores e para os acabamentos perfeitos e minuciosos.
foto de António Sousa
E faz umas sobremesas divinais, acho que teria sido uma excelente doceira e quanto a mim ainda vai a tempo. É daquelas que pega o touro pelos cornos e vai à luta, sem se deixar intimidar.
Bonito postal do Arquipélago
Madeira, mar e céu e as mágicas Desertas
Que alimentaram o meu imaginário infantil
Deserta?! Ah, pura mentira...
Que o digam as cagarras e os lobos marinhos...
Na comedoria e na nidificação um paraíso!
A Ponta do Garajau
Com o Senhor Cristo Rei altaneiro
Num gesto de acolhimento ao mundo inteiro
E para os navegantes daquele mar de águas mansas e cálidas
Onde, em desvario de menino louco,
saboreei o doce aconchego do abraço
Do alto daquele promontório
De quando em quando quedei-me na mágica sedução contemplativa
Daquela concha citadina
Qual caleidoscópio de feéricas cores
Uma marca identitária no meu ser
João Figueira Júnior, 2012
professor, poeta, cronista, bloguer madeirense, há muito encantado por esta outra ilha
"Ilha de Ereira, ó Guernesey dorida,
Que irá no meu País, que irá na Vida?..."
Ontem à noite dei comigo a pensar: Não fiz nada de jeito hoje! E enquanto me tentava lembrar de como tinha sido passado este sábado, fui anotando o que me ocupou o dia:
1. Sair de casa de manhã, à pressa, como se fosse um dia de trabalho,
2. Passar no oculista para ir buscar as lentes de contacto encomendadas durante a semana,
3. Deixar as miúdas na tia, enquanto fui à aula de Tai Chi Chuan,
4. Ir ter com o resto da família ao sítio do costume (e parar no caminho para comprar alguma comida e água),
5. Olhar para o mar, comer, olhar para o mar, beber, olhar para o mar, pensar no que vamos fazer a seguir. Falar ao telefone com pessoas de quem temos saudades,
6. Arrumar a família e a tralha toda no carro e ir ao café e aos gelados no lugar onde se vendem os melhores gelados do mundo,
7. Ver que o areal da praia continua a crescer, mas há quemesteja a tratar de resolver isso,
8. Andar a pairar no picadeiro como se estivesse em férias e não houvesse nada para fazer,
9. Terminar de ler "a máquina de fazer espanhóis" de valter hugo mãe,
10. Ir com as crianças ao parque infantil do jardim e ter saudades de quando ainda lá haviam cisnes e patos,
11. Dar-me conta de que aqui até era um belo lugar para se viver
12. Ir ao Chá de Tília tomar um chá das cinco, com scones acabados de sair do forno e doce de maçã caseiro.
13. Apreciar os belíssimos trabalhos em renda das mulheres picarotas e faialenses, e perder-me com as memórias das vidas destas mulheres, de como organizaram o seu quotidiano e fizeram das rendas o seu ganha-pão - um passado de vida difícil, mas de alegria,
15. Ver as 200 fotos que ela tirou ao longo do dia e negociar o empréstimo dalgumas,
16. Fazerem-nos uma visita guiada via skype sobre: o acordar em Bali num hotel onde os quartos dão para um pátio cheio de flores, arbustos e outros verdes, atravessado por uma piscina rectangular, e tomar o pequeno-almoço num terraço a ver o mar
17. Querer ver este filme ao serão
Um longo domingo de noivado, Jean-Pierre Jeunet, 2004
As coisas que conseguimos fazer, mesmo quando nos parece que não fazemos nada!
Esta é a história do encontro entre um homem e uma mulher, numa pequena aldeia no sul da Toscana. O homem é um autor britânico que acabou de apresentar o seu último livro. A mulher, francesa, é dona de uma galeria de arte. Esta é uma história comum que podia acontecer a qualquer pessoa. Em qualquer lugar.